Outros sistemas de monitoramento de embarcações

Outros sistemas que monitoram o tráfego de embarcações e proporcionam melhor consciência situacional e gerenciamento portuário

Nos últimos meses, muito se tem falado sobre o uso de VTS (Vessel Traffic Service) e VTMIS (Vessel Traffic Management Information System) nos portos e terminais brasileiros.

Sistemas de VTS estão instalados em mais de 500 portos em todo o mundo, há mais de 6 (seis) décadas, tendo em vista não só o incremento na segurança da navegação, mas também um controle mais eficiente do tráfego e das operações de apoio marítimo. A instalação de um VTS permite à Autoridade Portuária maior controle sobre as condições de tráfego na sua área de jurisdição.

A despeito da implementação de VTS acarretar maior segurança e otimização das operações portuárias, sua implantação demanda o aporte de consideráveis recursos e homologação pela Autoridade Marítima Brasileira, configurando um processo longo e sujeito a inúmeras regulamentações. É digna de nota a necessidade de pessoal especialmente formado para as funções de operador e supervisor. Desta forma, alguns terminais portuários poderão optar por um LPS (Local Port Service), não sujeito à regulamentação da Autoridade Marítima, com uma estrutura de equipamentos e serviços que pode eventualmente ser mais simples e menos custosa de que um VTS. Neste caso, o sistema se limita a monitorar o tráfego marítimo em determinada área, sem interferir com a sua operação.

Assim, seja em um Porto Organizado, seja em um Terminal de Uso Privado (TUP), este incremento na consciência situacional permite ao operador e/ou Autoridade portuária, aperfeiçoar a gestão portuária, com óbvios benefícios em termos de segurança da navegação e redução de custo das operações. Por estes motivos, e pelo incremento na prevenção da poluição marítima, a necessidade da implementação de LPS/VTS/VTMIS já é uma realidade no Brasil.

2.1 – O que é um LPS e qual a sua aplicação?

É um serviço semelhante ao VTS, mas de forma simplificada, geralmente implementado em portos e terminais que não necessitam ou desejam interferir no tráfego marítimo. É utilizado para que uma Administração portuária tenha uma adequada consciência situacional em sua área de atuação.

O LPS é uma solução flexível para os Terminais de Uso Privado onde a avaliação de risco não indicou a necessidade de instalação de uma estrutura formal de VTS, ou também nos Terminais privados localizados dentro de um porto organizado onde cabe à Autoridade Portuária a operação de um VTS. Nestas situações, caso o operador privado queira dispor de uma ferramenta para o acompanhamento do tráfego marítimo de seu interesse, o LPS é a solução ideal. Como a estrutura de um LPS não está condicionada por padrões técnicos internacionais, a sua configuração é flexível, de forma a se atender as necessidades específicas do operador portuário. O LPS é uma ferramenta para auxiliar a gestão do Operador Portuário, ao prover informações sobre a movimentação de embarcações.

Um LPS pode utilizar todos ou apenas uma parte dos equipamentos previstos para um VTS. Desta forma, a sua configuração é estabelecida de acordo com as necessidades do usuário. Por exemplo, um LPS pode ser estabelecido empregando apenas AIS e câmaras, sem a instalação de radar e sensores meteorológicos, caso o usuário entenda que esta configuração atende às suas necessidades.

  • Oferece apenas monitoramento do tráfego;
  • Não interage com o tráfego marítimo;
  • Não necessita de autorização ou homologação da Marinha do Brasil para ser implementado;
  • Não possui requisitos rígidos em termos de configuração mínima de equipamentos como estabelecido para um VTS;
  • Possui requisitos de treinamento de operadores simplificados;
    Visa atender a necessidade do Operador do TUP;
  • A configuração de equipamentos é flexível, de acordo com as necessidades específicas do operador portuário, não estando submetida à regulamentação internacional;
  • Pode fornecer dados para compor um sistema de gerenciamento de informações portuárias..

2.2 – O que é um VTMIS e qual a sua aplicação?

Quanto ao VTMIS, trata-se de um sistema que utiliza dados provenientes do VTS ou LPS, incorporando informações provenientes de outros sistemas de interesse da administração portuária (MIS – Management Information System), de forma a aumentar a efetividade das operações ou da atividade marítima como um todo.

Entre os sistemas de dados que podem ser incorporados a um VTMIS, podemos citar:

  • Sistemas de gerenciamento do Porto;
  • Sistemas dedicados à segurança portuária;
  • Sistemas de apoio e gerenciamento da praticagem;
  • Sistemas de gerenciamento de carga e da propriedade em geral;
  • Planejamento de acostagem;
  • Sistemas de cobrança de taxas portuárias;
  • Controle de quarentena;
  • Controle alfandegário; e
  • Apoio às operações da Polícia Marítima, tais como repressão aos ilícitos contra navios, contrabando/descaminho, narcotráfico etc.
  • Em linhas gerais, um VTMIS:
  • Usa as informações do VTS ou LPS;
  • É Integrado com outros sistemas de interesse da Administração Portuária;
  • É Integrado com outras agências;
  • É concebido como um projeto customizado, portanto não existe um VTMIS padrão;
  • Provê aumento da produtividade como um todo;
  • Não pode interferir com a operação do VTS, conforme estabelecido na NORMAM-26; e
  • Não necessita de autorização ou homologação da Marinha do Brasil para ser implementado.

A figura abaixo consolida a estrutura básica de VTS ou LPS + MIS = VTMIS

Vts-grafico